londonbeadco.mobi

Baixar Arquivos

BAIXAR A ARTE EXPOSITIVA DE JOO CALVINO


O livro A Arte Expositiva de João Calvino (Steven J. Lawson), da Editora Fiel, fala não carregue por conta do tamanho do arquivo, clique acima “baixar livro”). A Arte Expositiva de João Calvino é um dos vários materiais imperdíveis disponibilizados pela Editora Fiel a seus leitores estudiosos. A publicação, organizada. Arte Expositiva de Joao Calvino - documento [*.pdf] “Por meio de um estudo introdutório da pregação de João Calvino, Steven Lawson fornece.

Nome: a arte expositiva de joo calvino
Formato:ZIP-Arquivar
Sistemas operacionais: MacOS. iOS. Windows XP/7/10. Android.
Licença:Somente uso pessoal
Tamanho do arquivo:41.89 MB

EXPOSITIVA DE CALVINO A ARTE BAIXAR JOO

O seu jeito de pregar foi um fator que contribuiu de forma signifcativa para o poder que emanava de seu plpito em Genebra. Esta reviso era um tipo de exposio abreviada. Os Atributos de Deus. Suas palavras so diretas, as frases, simples. A maneira como esses homens se aproximavam do plpito deve receber nossa maior aten- o, se quisermos ver outra grande obra de Deus em nossos dias. Fenômeno editorial, com mais de 2 milhões de cópias vendidas, Um lugar bem longe daqui figura nas listas de best-sellers dos Estados Conforme o povo de Genebra adquiria conhecimento da Palavra de Deus e era transformado por ela, a cidade tornou- se, como John Knox chamou-a mais tarde, uma Nova Jerusalm, de onde o evangelho espalhou-se para o resto da Europa, para a Inglaterra, e para o Novo Mundo. Ele rejeitou a quadriga medieval, o antigo esquema de interpretao que permitia signifcados literais, morais, alegricos e analgicos de um texto. Por ser a Palavra de Deus, a B- blia perfeitamente coerente e consistente consigo mesma. Lourenço Stelio Rega, juntou-se ao empreendimento o prof. Em 49 A Pr e pa r a o do Pr e g a dor pblico ou em particular, em seus estudos ou na rua, o homem de Deus tinha de se afastar do pecado e seguir a santidade. Este o momento em que os pastores precisam ter seus plpitos novamente marcados pela pregao expositiva, pela clareza doutrinria e pelo senso de reverncia em relao s coisas eternas. Calvino escreveu: A verdade de Deus mantida pela pregao autntica do evangelho. Usar de alegorias era um engano, e engano era o mal que um estudioso deveria evitar a todo custo

A Arte Expositiva de João Calvino é um dos vários materiais imperdíveis disponibilizados pela Editora Fiel a seus leitores estudiosos. A publicação, organizada. Arte Expositiva de Joao Calvino - documento [*.pdf] “Por meio de um estudo introdutório da pregação de João Calvino, Steven Lawson fornece. A Arte Expositiva de João Calvino O v e r da d e i r o Calvino A opinião de que a A Vi d a e o L e g a d o d e C a lv i n oza? Neste capítulo. a arte expositiva de João calvino. Baixar o documento “Por meio de um estudo introdutório da pregação de João Calvino, Steven Lawson. A Arte Expositiva de João Calvino é um dos vários materiais imperdíveis disponibilizados pela Editora Fiel a seus leitores estudiosos.

As tradies da igreja, os decretos do Papa e as decises dos conselhos eclesisticos precediam a verdade bbli- ca. Entretanto, Calvino permaneceu frme sobre a pedra angular da Reforma Sola Scriptura, ou somente a Escritura. Ele acreditava que as Escrituras eram o verbum Dei a Palavra de Deus e que somente ela podia regulamentar a vida da igreja, e no papas, conse- lhos ou tradies. Sola Scriptura identifcou a Bblia como autoridade nica sobre a igreja de Deus, e Calvino abraou essa verdade de todo o corao, insistindo que a Bblia a competente, inspirada, inerran- te e infalvel Palavra de Deus.

Calvino cria que quando a Bblia era aberta e explicada de for- ma correta, a soberania de Deus era manifestada para a congregao imediatamente. Por isso, ele defendia que o principal encargo do mi- nistro era pregar a Palavra de Deus. Ele escreveu: Todo o seu servio [dos ministros] limitado ao ministrio da Palavra de Deus; toda a sua sabedoria, ao conhecimento da Palavra; toda a sua eloqn- cia, proclamao da mesma.

Merle DAubign, o respeitado 35 Ap r ox i ma ndo- s e do Pl p i t o historiador da Reforma, observou: Do ponto de vista de Calvino, qualquer coisa que no estivesse alicerada na Palavra de Deus era futilidade e ostentao efmera; e o homem que no confasse nas Escrituras deveria ser destitudo de seu ttulo de honra.

Ele disse: Quando subimos ao plpito, no levamos conosco nossos sonhos e nossas fantasias. Ele sabia que assim que os homens se afastam da Palavra de Deus, ainda que seja em pequena proporo, eles pregam nada mais que falsidades, vaidades, mentiras, erros e enganos.

Deste modo, Calvino admitia no possuir autoridade sobre os outros alm do que as Escrituras ensinam: ordenado a todos os servos de Deus que no apresentem invenes prprias, mas que simplesmente entreguem aquilo que receberam de Deus para a con- gregao, da mesma forma como algum que passa algo de uma mo para outra,. Para Calvino, qualquer professor da Bblia, independentemente de ser humilde ou notvel, que decide misturar suas invenes Palavra de Deus, ou que sugere qualquer coisa que no faa parte dela, deve ser rejeitado, por mais ilustre que seja sua posio.

Ele via a si mesmo sob a autoridade da Palavra. O prprio pregador acreditava que estava pregando a Palavra de Deus. Ele via a si prprio como ser- vo da Palavra. Parker concorda com esse pensamento: Para Calvino, a mensagem das Escrituras soberana; soberana sobre a congregao e soberana sobre o pregador. Sua humildade demons- trada pela sua submisso a esta autoridade.

A majestade das Escrituras, ele disse, merece que seus expositores faam-na evidente, que tratem-na com modstia e reverncia. Do ponto de vista de Calvino, explorar a altura, a largura, a profun- didade e a amplitude da Bblia era venerar seu Autor sobrenatural.

Philip Schaf, um respeitado especialista na histria dos protestan- tes, escreveu: [Calvino] possua a mais profunda reverncia pelas Escrituras como a Palavra do Deus vivo e como a nica infalvel e sufciente regra de f e obedincia. Oliphant assimila bem esta idia ao observar que o prprio fato do seu ministrio [de Calvino] consistir em expor a Palavra de Deus o enchia de forte reverncia pelo dever que tinha diante de si.

Ele cria frmemente que quando a Bblia fala, Deus fala. Ele acreditava que atravs da exposio da Palavra escrita de Deus, acontece uma manifestao nica da sua presena em poder sobrenatural. Onde quer que seja pregado o evangelho, declarou Calvino, como se o prprio Deus viesse para o meio de ns. Ele nos toca de tal forma, que a voz humana entra em ns e nos favo- rece de modo que somos revigorados e alimentados por ela. Deus nos chama para si como se estivesse falando- nos por sua prpria boca e pudssemos v-lo ali, em pessoa.

Ele afrmava que durante a proclamao pblica, quando o pregador realiza sua incumbncia com fdelidade, falando apenas o que Deus coloca em sua boca, o poder do Esprito Santo, o qual o pregador possui den- tro de si, une-se sua voz externa. Esta verdade o levou a dizer: Que os pastores enfrentem todas as coisas sem medo, por meio da Palavra de Deus, da qual foram constitudos A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 38 administradores.

Que eles renam todo o poder, toda a glria e excelncia do mundo a fm de conferir a prima- zia divina majestade desta Palavra. Que, por meio dela, comandem a todos, desde a pessoa mais notvel at a mais simples. Que edifquem o corpo de Cristo. Que de- vastem o reino de Satans. Que apascentem as ovelhas, matem os lobos, instruam e exortem os rebeldes. Que juntem e separem, que clamem com veemncia, se for necessrio, mas que faam todas as coisas de acordo com a Palavra de Deus.

O poder do Esprito, ele disse, apagado logo que os doutores em teologia comeam a tocar trombetas diante de si No de se admirar que esta crena na poderosa presena de Deus na pregao tenha infuenciado a opinio de Calvino sobre o plpito de forma to profunda. Ele escreveu: A misso de ensinar confada aos pastores com nenhum outro propsito seno o de que Deus seja ouvido atravs da pregao.

O que Deus tem a dizer ao homem infnitamente mais importante do que as coisas que o homem tem a dizer para Deus. A fm de que a congregao ado- re apropriadamente, os crentes sejam edifcados e os perdidos sejam convertidos, a Palavra de Deus deve ser explicada. Nada deve tirar as 39 Ap r ox i ma ndo- s e do Pl p i t o Escrituras do lugar mais importante no ajuntamento pblico. A primazia da pregao bblica na opinio de Calvino era ineg- vel: Certamente existe uma igreja de Deus onde vemos sua Palavra ser pregada e ouvida com exatido, e onde vemos os sacramentos serem administrados de acordo com o que Cristo estabeleceu.

Entretanto, nem todos os tipos de pregao convm. Calvino escreveu: A verdade de Deus mantida pela pregao autntica do evangelho.

De acordo com os Regulamentos da igreja de Genebra, de , redigidos pelo prprio Calvino, o trabalho mais importante dos pastores, presbteros e ministros anunciar a Palavra de Deus com a fnalidade de ensinar, repreender, corrigir e exortar, 28 e nin- gum na histria da igreja exemplifcou melhor esta frase do que o prprio Calvino. Ele declarou: O alvo de um bom professor fazer com que os homens tirem os olhos do mundo a fm de que olhem para o cu.

A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 40 Enquanto a teologia da Reforma estabelecia suas bases em grande parte devido exposio de Calvino mudanas dramti- cas estenderam-se pela Europa. A exposio bblica retornou ao seu lugar central na igreja. James Montgomery Boice mencionou esta reorganizao quando escreveu: Quando a Reforma espalhou-se pela Europa, no scu- lo XVI, houve uma elevao imediata da posio que a Palavra de Deus acupava nos cultos protestantes.

Joo Calvino particularmente realizou isso com perfeio, ordenando que os altares, que anteriormente eram o ponto de atrao das missas em latim, fossem removi- dos das igrejas e que um plpito com uma Bblia fosse colocado no centro do prdio. Ele no deveria ser colo- cado num canto do auditrio, mas bem no centro, onde cada fleira da arquitetura proporcionasse ao adorador a possibilidade de olhar para aquele Livro, que sozi- nho contm o caminho para a salvao e que esboa os princpios sobre os quais a igreja do Deus vivo deve ser governada.

Conforme a Bblia foi aberta, a reforma expandiu-se. Rara- mente ele deixava o estudo de um livro. Parker escreveu: Domingo aps domingo, dia aps dia, Calvino subia os degraus at ao plpito.

L, ele pacientemente conduzia sua congregao, verso a verso, livro aps livro da Bblia. Quase todos os sermes de Calvino que foram registrados so sries interli- 41 Ap r ox i ma ndo- s e do Pl p i t o gadas sobre os livros da Bblia. O estilo verso-a-verso lectio continua, ou seja, o das ex- posies consecutivas 34 garantia que Calvino pregasse todo o conselho de Deus. Assuntos difceis e controversos no podiam ser evitados. Palavras duras no podiam ser omitidas.

Doutrinas com- plicadas no podiam ser negligenciadas. Todo o conselho de Deus pde ser ouvido. Uma vez que o ministrio de Calvino havia chegado matu- ridade, ele comeou a pregar num livro do Novo Testamento nos domingos pela manh e tarde embora pregasse em Salmos durante algumas tardes e tambm num livro do Velho Testamento, nas ma- nhs, durante a semana. Os livros nos quais sabemos que ele pregou do primeiro ao ltimo captulo so: Gnesis, Deuteronmio, J, Juzes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, os profetas maiores e os menores, os evangelhos, Atos, 1 e 2 Corntios, Glatas, Efsios, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timteo, Tito e Hebreus.

Seus ltimos sermes foram no livro dos reis, no dia 2 de fevereiro, e nos evangelhos, no dia 6 de fevereiro de Em setembro de , Calvino reassumiu seu plpito em Genebra e re- tomou sua exposio exatamente a partir do ponto em que a deixara trs anos antes no verso seguinte! De forma semelhante, Calvino fcou muito doente na primeira semana de outubro de e no voltou ao plpito at 12 de junho de , uma segunda-feira quando prosseguiu do mesmo verso em que havia parado no livro de Isaas.

Para Calvino, o assunto que deve ser ensinado a Palavra de Deus e a melhor forma de ensin-la Por exemplo, Calvino pregou 89 sermes em Atos entre e , uma srie mais curta em algumas das epstolas paulinas entre e , e 65 sermes sobre a Harmonia dos Evangelhos entre e Nas manhs dos dias de semana, ele tambm pregou uma srie de sermes em Jeremias e Lamentaes at , nos profetas menores e em Da- niel de a , sermes em Ezequiel, de a , sermes em J, de a , sermes em Deuteronmio, de a , sermes em Isaas, de a , sermes em Gnesis, de a , uma curta srie em juzes, em , sermes em 1 Samuel e 87 sermes em 2 Samuel, de a , e uma srie em 1 Reis, em e O seu jeito de pregar foi um fator que contribuiu de forma signifcativa para o poder que emanava de seu plpito em Genebra.

De fato, havia um momentum crescente conforme Calvino pregava de forma seqencial nos livros da Bblia, construin- do cada mensagem sobre a anterior. O argumento do livro se tornava mais poderoso medida que Calvino explicava cada pgina.

Para Calvino, as qua- tro caractersticas abordadas neste captulo autoridade bblica, presena divina, prioridade do plpito e exposio seqencial es- tavam inseparavelmente ligadas. Ou permaneciam de p juntas, ou caam juntas. Nas palavras de Calvino, a pregao a viva voz de Deus em 43 Ap r ox i ma ndo- s e do Pl p i t o sua igreja.

Onde podemos encontrar homens de Deus iguais a este hoje em dia? Onde esto os pregadores semelhantes a Calvino, que pre- gam a Palavra com compromisso resoluto? Onde esto os pastores que acreditam que Deus est com eles de forma singular enquan- to sobem ao plpito a fm de pregarem sua Palavra?

Onde esto os pastores que priorizam a pregao da Palavra no culto de adorao? Onde esto os expositores que pregam livros inteiros da Bblia, con- secutivamente, ms aps ms, e ano aps ano? Este era o caso da Genebra do sculo dezes- seis, e este o caso da igreja de hoje. Que Deus levante uma nova gerao de expositores que estejam equipados e capacitados para proclamar a Palavra.

Eis o segredo da grandeza de Calvino e a fonte de sua fora revelada a ns. Homem algum jamais teve um senso mais profundo de Deus do que ele. Homem algum jamais se rendeu totalmente direo divina como ele o fez. Warfield D entre todas as outras coisas, uma paixo suprema encan- tava Joo Calvino: a glria de Deus.

Calvino acreditava que toda a verdade revelada nas Sagradas Escrituras tinha a inteno de tornar conhecida a glria de Deus e de fazer o lei- tor contemplar e adorar sua majestade. De semelhante modo, o pecado era um ataque frontal majestade de Deus; qualquer intuito, pensamento ou ao contrrios s Escrituras arrui- navam a glria de Deus. Ento, Calvino considerou como seu dever mais importante defender a honra do nome divino. Por esta razo, Calvino escreveu em seu ltimo testamento: Sempre apresentei com fdelidade aquilo que considerava ser para a glria de Deus.

John Piper escreveu: Acho que um lema que poderia caracterizar toda a vida e todo o trabalho de Joo Calvino seria o seguinte: Zelo em demons- trar a glria de Deus. O sentido essencial da vida e da pregao de Joo Calvino que ele recuperou uma paixo pela absoluta realida- de e majestade de Deus.

Quando ele estudava, era para contemplar a majestade de Deus. Assim, a preparao de sua mensagem no era voltada aos outros em primeiro lugar; era, antes de mais nada, para seu prprio co- rao. Com o auxlio do Esprito e uma frme disposio para com a autoridade bblica, Calvino seguiu seu Criador com empenho.

E, enquanto fazia isso, o Senhor subjugou seu esprito e cravou dentro dele uma admirao, cheia de temor, pelas excelncias de Cristo. Semana aps semana de cuidadosa preparao para a prega- o expositiva seqencial produziu em Calvino uma viso sublime de Deus que levou sua mente e corao a permanecerem frmes em seu Redentor. Um sermo simplesmente uma expanso da vida do prega- dor, por isso, o homem de Deus deve preparar bem o seu corao.

Um sermo no se eleva mais do que a alma do pregador diante de Deus. Visto que foi demonstrado o compromisso de Calvino com a glria de Deus, como ele alimentava sua mente nas Escrituras?

Como ele cultivava seu corao diante de Deus? Quais compromis- sos fortaleceram seu implacvel desejo de estar sempre no plpito? Consideraremos estas questes neste captulo, conforme enfatiza- mos a preparao de Calvino para pregar a Palavra de Deus. Calvino en- tendeu que devia fcar cheio do conhecimento correto da Bblia, se quisesse magnifcar a glria divina. Na qualidade de um expositor fel, ele tambm sabia que uma abrangente compreenso das Escri- turas era um pr-requisito imprescindvel para a pregao que honra a Deus e transforma vidas.

Ele escreveu: O pastor, por meio de mui- to estudo, deve estar bem preparado para oferecer s pessoas uma variedade de instrues sobre a Palavra de Deus, como se ele mesmo possusse um estoque de coisas espirituais.

Por causa deste compromisso, Calvino considerava o estudo diligente uma grande recompensa. Sabendo que um profundo conhe- cimento da Bblia s possvel por meio de muito tempo empregado no texto, ele fez do estudo disciplinado das Escrituras um estilo de vida, e permanecia estudando o texto at que o seu signifcado esti- vesse claro.

Ele escreveu: Todos devemos ser alunos das Sagradas Escrituras at ao fm, e igualmente aqueles designados para proclamar a Palavra. Se subimos ao plpito, sob esta condio: que aprendamos enquanto ensinamos aos outros. No estou falando aqui apenas para que me ouam, mas eu tambm, de minha parte, devo ser um aluno de Deus, e a palavra que sai de meus lbios deve ser benfca para mim mesmo, do contrrio, ai de mim!

Os mais habilidosos com as Escrituras so tolos, a menos que reconheam que precisam de Deus como seu professor todos os dias de sua vida.

No total, h mais de trs mil referncias e citaes das Escri- turas nas Institutas. Seu amplo Comentrio da Bblia um dos maiores comentrios bblicos escritos por um nico homem. Ele formado por quarenta e cinco volumes com mais de quatrocentas pginas cada, sendo a maioria dos comentrios tirada de suas aulas. O comentrio trata de todos os livros no Velho Testamento, exceto quinze, dentre os quais encontram-se J e 1 e 2 Samuel, nos quais ele pregou de forma ininterrupta.

Calvino tambm comentou todos os livros do Novo Tes- tamento, com exceo de 2 e 3 Joo e Apocalipse. Alm disso, Calvino escreveu dezenas de tratados teolgicos que eram explicaes cui- dadosas e defesas de posies bblicas importantes.

Estes trabalhos abrangem muitos assuntos, desde o relacionamento entre a igreja e o estado, a predestinao, a providncia, at a refutao dos erros dos anabatistas e dos catlicos romanos. Como resultado de seu estudo intenso na Palavra, Calvino co- nhecia muitos trechos de cor, os quais ele utilizava como referncias rpidas e efcazes. Alm disso, ele incorporou as metforas e ima- gens da Bblia, seus conceitos e nuanas sua vida e sua forma de pensar.

A preparao necessria para pregar uma disciplina rdua, mas Calvino no me- dia esforos. Na opinio dele, no existia esta coisa de ministro no santifcado. O sucesso do pregador dependia da profundidade de sua santidade. Em 49 A Pr e pa r a o do Pr e g a dor pblico ou em particular, em seus estudos ou na rua, o homem de Deus tinha de se afastar do pecado e seguir a santidade.

Calvino ob- servou: O chamado de Deus traz consigo [a exigncia de] santidade. O homem de Deus deve cultivar uma viso elevada do Senhor e tremer diante de sua Palavra. Calvino escre- veu: Nenhum homem pode lidar de forma correta com a doutrina da piedade, a menos que o temor de Deus reine A re- jeio que o reformador experimentou quando banido de Genebra serviu apenas para intensifcar sua vontade resoluta de conhecer e servir a Deus.

Quando o conselho municipal de Gene- bra revogou sua expulso e pediu o retorno de Calvino, ele escreveu a William Farel: Porque sei que no sou meu prprio mestre, ofe- reo meu corao como um sacrifcio verdadeiro ao Senhor. Em seu selo pessoal, o emblema um par de mos hu- manas entregando um corao para Deus. A inscrio diz: Cor meum tibi ofero, Domine, prompte et sincere Meu corao a Ti ofereo, Senhor, com prontido e sinceridade.

As palavras prontido e sin- ceridade descrevem adequadamente como Calvino acreditava que deveria viver diante de Deus, ou seja, em completa devoo a Ele. Ao manter este compromisso, Calvino continuamente esti- mulava o fervor de sua alma por meio da orao e de uma atitude devotada.

Duas coisas esto unidas, ele confessou, ensino e orao. Deus deseja que a pessoa designada por Ele para ser um professor em sua igreja seja diligente em orar.

Por conta de sua piedade, a tirania dos muitos assuntos srios que o pressio- navam perdeu o poder. A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 50 Na opinio de Calvino, tal piedade era absolutamente essencial para um pregador da Palavra de Deus. Ele acreditava que um prega- dor deveria falar no tanto com a boca quanto com as disposies do corao. Ele escreveu: Homem nenhum est apto para ser um mestre na igreja, salvo aquele que Entender este aspecto do carter de Calvino crucial para qualquer discernimento a respeito de sua pregao.

Nos registros da histria da igreja poucos homens dedicaram-se mais pregao do que este genebrino. Com energia abundante e um alvo retilneo, ele pro- clamou a Palavra de Deus. Simplifcando, Calvino era um homem resoluto. Ele difcilmente poderia ser considerado o servo intil que pensava ser. Esta atividade inabalvel se traduzia na exposio das Escritu- ras de uma forma quase que contnua.

As evidncias indicam que, durante todo o seu ministrio, Calvino pregou em larga escala. O reformador genebrino estava quase sempre no plpito. Douglas Kelly fez a seguinte observao: No estamos certos sobre a freqncia com que Calvino pregava, ou sobre os livros das Escrituras que ele pode ter comen- tado durante sua primeira estada em Genebra. Ao voltar para Genebra, ele aparentemente pregou duas vezes por domingo e uma vez ao dia nas segundas, quartas e sextas-feiras. Mas isto foi um fardo pesado demais e, aps dois meses, o conselho o desobrigou de pregar mais que duas vezes por domingo.

Entretanto, ele conti- nuou a pregar trs noites por semana durante sete anos: Antes de , ele pregava trs dias por semana s cinco horas da tarde, e havia trs cultos por domingo, um ao romper do dia, outro s nove horas e o ltimo s trs. Aps essa data, o nmero aumentou para um sermo por dia, e tornou-se uma prtica constante de Calvino, exceto quanto impedido por doena ou por ausncias ocasionais.

Ele pregava s nove e s trs horas todos os domingos, e, em semanas alternadas, pregava diariamente! Assim, era comum que ele pregasse no menos que dez vezes por quinzena para a mesma congregao. Ele era to dedicado ao plpito que Rodolphe Peter es- timou que Calvino teria pregado ao todo quatro mil sermes, dos quais apenas 1. Calvino no se prendia exclusivamente ao plpito, deixando de ter interesse pela vida dos outros santos.

Philip E. Hughes fez o seguinte comentrio acerca dos muitos esforos de Calvino: Este autor prolfco tambm estava diariamente ocupa- do em muitas outras tarefas pregando todos os dias em semanas alternadas, ensinando teologia trs vezes por semana, sempre assumindo seu lugar nas sesses do Consistrio, dando instruo ao clero, fazendo dis- cursos para o Conselho e participando do governo de sua cidade, visitando os doentes, aconselhando os que estavam com problemas, recebendo os numerosos visi- tantes que vinham de perto ou de longe, e dedicando-se aos seus amigos de todo o corao, num companhei- rismo que signifcava muito para ele mesmo e tambm para os outros.

No admira que Wolfgang Musculus te- nha falado dele como algum que era uma mo sempre disposio! Sua vontade resoluta o fez suportar muitas doenas. Por exemplo, em , ele escreveu aos seus mdicos descrevendo suas clicas, sua situao ao cuspir sangue, seus acessos de calafrio, e os sofri- mentos dolorosos das hemorridas.

Entretanto, essas contrariedades fsicas raramen- te tornaram Calvino menos ativo. Ele subia ao plpito tantas vezes quanto sua sade permitia, e era extremamente decidido. Mesmo quando Calvino estava acamado, com pouca sade, nunca agiu como um invlido.

EXPOSITIVA CALVINO DE ARTE A BAIXAR JOO

Em vez disso, ele se comportava de maneira incansvel. Teodore Beza, um amigo chegado, recordou que em , devido a uma doena grave, foi preciso que Calvino parasse de pregar, de dar aulas e de cumprir suas outras tarefas pas- 53 A Pr e pa r a o do Pr e g a dor torais e cvicas; ento, ele passou dias e noites ditando e escrevendo cartas.

No havia expresso mais freqente em seus lbios, escre- veu Beza, do que dizer que a vida lhe seria amarga caso fosse gasta em indolncia. Nada o man- tinha afastado do plpito. Se os problemas de sade nunca impediram Calvino, a oposio sua pregao tambm no o fez. Ele desenvolveu profundas convic- es a respeito dos assuntos abordados pela Bblia.

O intenso estudo do texto gravou as verdades da Palavra em sua alma. Como resulta- do, Calvino creu, por isso que falou ver 2 Co. Conforme vimos no captulo 1, Calvino, quando ainda era re- cm-convertido, possivelmente escreveu um discurso para o reitor da Universidade de Paris; discurso este que apelava por reforma.

Ele foi obrigado a fugir da cidade por causa de seu ponto de vista. Mais tarde, depois de ter assumido o ministrio em Genebra havia ape- nas dois anos, foi arrancado de seu plpito e exilado por trs anos. Mesmo quando pediram-lhe que voltasse, a oposio foi forte.

Philip Schaf escreveu: Os adversrios de Calvino eram, com poucas excees, os mesmos que o haviam expulsado em Eles nun- ca consentiram cordialmente com a sua chamada de volta. Por um tempo, aqueles homens cederam presso da opinio pblica e necessidade poltica, mas quan- do Calvino efetuou o esquema de disciplina com muito mais rigor do que esperavam, eles revelaram sua velha hostilidade, e tiraram vantagem de cada ato censurvel do Consistrio ou do Conselho.

Eles o odiavam mais do que ao papa. Detestavam a prpria palavra disciplina. Recorriam s injrias pessoais e a cada artifcio de in- timidao que conheciam; apelidavam-no de Caim e A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 54 davam seu nome aos ces da rua; insultavam-no duran- te o percurso que fazia at o lugar onde lecionava; certa noite, dispararam cinqenta tiros diante de seu quarto; eles o ameaaram no plpito; uma vez, aproximaram-se da mesa da ceia do Senhor a fm de arrancar o po e o vinho das suas mos, mas ele se recusou a profanar o sacramento e os enfrentou.

Em outra ocasio, Calvi- no entrou no meio de uma multido irritada e ofereceu o peito aos punhais deles. Em 15 de outubro de , ele escreveu para um velho amigo: De todos os lados ces latem para mim. Em toda parte sou saudado com o nome de herege, e todas as calnias que podem ser inventadas so amontoadas sobre mim.

Numa palavra, os inimigos dentre meu prprio rebanho atacam-me com maior crueldade do que meus inimigos declarados dentre os papistas. Charles H.

Spurgeon confessou: Eu amo aquele homem de Deus, que sofreu a vida toda, e suportou no s perseguies de fora, mas uma confuso de tu- multos que vinham de dentro da prpria igreja, no deixando ainda assim de servir seu Mestre de todo o corao.

Ele declarou que a fraqueza mental e voluntria no tem lugar no corao de um pastor. Ele escreveu: Nada mais contrrio pregao pura e livre do evangelho do que os dilemas de um cora- o covarde. Ele era um estudante zeloso da Bblia e um fervoroso servo do Senhor. Semana aps semana, ms aps ms, ano aps ano e dcada aps dcada ele se dedicava a um determina- do texto bblico e depois o fazia conhecido ao seu povo.

O estudo persistente, a piedade pessoal e o ministrio inaba- lvel eram mantidos por um intenso desejo de ver Deus glorifcado. Para Calvino, os pregadores no podem desempenhar com vigor a sua ocupao, a menos que tenham a majestade de Deus diante dos olhos. No momento em que vivemos, essencial que os pregadores recobrem uma viso elevada da supremacia de Deus.

A pregao que muda vidas e altera a histria acontece somente quando pastores recuperam uma viso elevada da resplandecente santidade de Deus e so ofuscados pela sua absoluta soberania.

Pensamentos grandio- sos sobre a transcendente glria de Deus devem fascinar a alma dos pregadores.

Que voc seja algum que deixa de lado os pensamentos triviais sobre Deus. Uma viso vulgar de Deus conduz somente mediocridade. Entretanto, uma viso elevada de Deus inspira santi- dade e um esprito resoluto. Que voc eleve-se s alturas dos montes e contemple, como fez Calvino, a comovente glria de Deus. Os sermes de Calvino geralmente prolongavam-se por uma hora e eram exposies consecutivas. Ele comeava no primeiro versculo do livro e, ento, tratava de sees contnuas, de quatro ou cinco versos, at que chegava ao fm e, neste ponto, dava incio a outro livro.

Sua mente no se distraa com as diversas tarefas do ministrio contemporneo. Ele no precisava do espetculo moderno dos anncios prolongados, os quais em sua maioria so de natureza trivial. Ele no se sacudia ao som dos est- mulos artifciais da msica eletrizante que freqentemente empurrada para dentro de nossas igrejas hoje em dia. Em vez disso, com um pensamento singular, com um esprito sublime c A P T uL O 4 iniciando o Sermo A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 58 e uma mente magnifcada pelas coisas do alto, Calvino persistia em fazer sermes que revelavam a incomparvel glria de Deus.

E tudo isto comeava com uma introduo intencional e poderosa. As introdues de Calvino permitiam que ele chegasse ao texto o mais rpido possvel. Ele no tinha a inteno de usar muito do valioso tempo com assuntos alheios passagem, nem deixava que seus comentrios iniciais o distrassem do tema principal. Ele disse: Sou, por natureza, f da brevidade, 2 e isso era evidente em suas introdues, que eram diretas e concisas, indo direto ao assunto.

Do mesmo modo como uma entrada que d acesso a uma rodovia de trnsito rpido, as introdues de Calvino rapidamente levavam a congregao a entrar no fuxo de seu pensamento. Na maioria das vezes, Calvino comeava com uma reviso su- cinta dos versos anteriores nos quais ele pregara.

Esta reviso era um tipo de exposio abreviada. Parker observou: Aps uma breve introduo para lembrar a congregao do que a pas- sagem anterior dizia e, assim, colocar os prximos versos em seu contexto, ele embarcava na exposio das sentenas. Este captulo examina as introdues dos sermes expositivos de Calvino. Como ele iniciava suas mensagens? Quais eram os alvos de seus comentrios iniciais? Que traos distinguiram as introdu- es de Calvino?

Ele no comeava com ilustraes da histria da igreja ou do mundo como um todo. No comeava aludindo cul- tura ou se referindo aos tempos tumultuosos em que ele vivia.

No 59 i ni c i a ndo o S e r m o comeava com uma anedota de sua prpria vida. Nenhum destes mtodos so intrinsecamente errados, mas no eram aspectos do estilo de Calvino.

Em vez disso, Calvino escolheu introduzir suas mensagens de uma maneira direta; uma maneira que levava seus ouvintes de ime- diato ao texto bblico.

Ele no era um orador eloqente, mas sim um expositor dos ensinamentos bblicos. Acima de tudo, ele deseja- va trazer seu povo s Escrituras. Como resultado, Calvino comeava com uma declarao penetrante, dirigindo a congregao passa- gem que tinham diante de si. Algumas sentenas inicias dos sermes que Calvino pregou no livro de Miquias so exemplos clssicos de suas introdues breves.

Estas linhas iniciais revelam como Calvino freqentemente usava suas primeiras palavras para encaminhar os ouvintes ao texto por meio de uma reviso da passagem do sermo anterior. Precisamos lembrar que estes sermes em Miquias foram pregados em noites consecutivas, de segunda a sbado. Isto explica a repetio da pala- vra ontem: Ontem, vimos como Miquias proclamou o juzo de Deus contra todos os incrdulos. Em tais sermes, suas introdu- es serviam como revises gerais das mensagens anteriores.

Arte Expositiva de Joao Calvino

Neste sentido, cada mensagem era fundamentada na anterior. Este era o caso, por exemplo, das introdues da srie que Calvino pregou no livro de Glatas: 7 Nesta manh, vimos que, quando Deus nos uniu ao cor- po do Senhor Jesus Cristo, Ele chamou cada um de ns para ser um sacrifcio vivo. Uma introduo direta inevita- velmente daria incio a um sermo poderoso. No porque negligenciasse o estudo intenso e a rigorosa preparao, conforme alguns acreditam.

Na verdade, o reformador costumava estar bem preparado no texto sobre o qual pregaria. Conforme temos visto, ele estudava com a maior diligncia antes de ir ao plpito.

Como ele mesmo disse: Se eu subisse ao plpito sem ao menos ter olhado para o livro, e pensasse de forma frvola: Ah, bem, quando eu comear a pregar, Deus me dar o sufciente para di- 61 i ni c i a ndo o S e r m o zer e, ento, viesse aqui sem me preocupar com o texto que leria ou sem pensar no que devo declarar, e se no considerasse com cuidado uma maneira de aplicar as Sagradas Escrituras para a edifcao do povo, eu seria um pretensioso arrogante.

Consciente de que devia falar a pessoas comuns, dentro da realidade em que viviam, e no a telogos profssionais. Ele queria que seus sermes tivessem um carter pas- toral e uma fala natural. Confando no Esprito Santo, ele permanecia diante das pessoas com nada mais que uma Bblia aberta e contava com seu minucioso estudo da passagem.

A exposio que resultava desta prtica era uma explicao clara e concisa do texto, acompa- nhada de uma aplicao prtica e de uma exortao impetuosa.

Indiscutivelmente, o intelecto brilhante de Calvino era um fator essencial para a sua elocuo espontnea. Sempre que ele as- sumia o plpito, tudo que estudara para um sermo em particular, assim como a sua preparao para as outras responsabilidades de ensino era empregado no texto que ele tinha diante de si naquele momento.

Num sentido real, por trs de cada mensagem havia toda uma vida de estudos. Hughes Oliphant Old observou: Este mesmo tipo de concentrao O sermo em si era elaborado diante da congregao. O reformador dizia: Parece-me que existem poucas pregaes vvidas no Reino. A maio- ria dos pastores prega lendo um discurso previamente escrito.

A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 62 caracter sti ca n contexto b bli co Conforme sua introduo se desenvolvia, Calvino rapidamente demonstrava o contexto da passagem em que pregaria. No incio da mensagem, o alvo de Calvino era levar a congregao ao conhecimen- to do pensamento do autor bblico, bem como do pblico original ao qual ele se dirigia.

Mais especifcamente, seu desejo era mostrar o raciocnio lgico do texto, a razo pela qual o autor prosseguira da linha de pensamento do texto anterior para a verdade que ele esta- va considerando naquele determinado ponto. Ao fazer isso, Calvino freqentemente demonstrava como o texto de seu sermo se encai- xava na estrutura argumentativa do livro todo.

A habilidade de Calvino em anunciar o contexto de uma passa- gem evidente nestes exemplos de seus sermes no livro de Glatas: J vimos que os glatas haviam se desviado, apesar de terem sido felmente ensinados por Paulo, que trabalha- ra diligentemente entre eles.

No que eles tenham de todo rejeitado a Cristo ou o evangelho, mas se deixa- ram enganar de maneira muito fcil, e seguiram falsas doutrinas o que acontece com freqncia!

Eles ainda se reuniam em nome do Senhor Jesus Cristo e usavam o batismo como sinal de f, mas haviam corrompido sua religio adicionando superstio e idolatria a ela. Assim, os glatas ainda se referiam a si prprios como parte da igreja de Deus, mas se enredaram em muitos ensinamentos tolos. Deus prometera graa e os judeus deviam confar nesta promessa para sua salvao, sabendo que Deus miseri- cordiosamente lhes mandaria um Redentor, por meio de 63 i ni c i a ndo o S e r m o quem eles obteriam remisso de seus pecados.

Disto Pau- lo concluiu que a lei a qual veio depois da promessa no anulou o que fora ordenado e estabelecido por Deus. Ele entendeu que um texto deve ser visto luz de seu contexto mais amplo, a fm de ser entendido de forma correta. Assim, ele achava que deveria ex- por o contexto, ainda que brevemente, antes de investigar as partes complexas da passagem designada.

Ele primeiro considerava o todo antes de explorar as partes. A proposio anuncia a essncia da men- sagem de forma sucinta. Por causa desta prtica, raramente havia dvida sobre qual seria o assunto da mensagem de Calvino. Desde o incio o ouvinte sabia com exatido o rumo que o sermo tomaria. Calvino elaborou uma frase como esta em seu sermo sobre Ef- sios 1. Ele comeou dizendo: J vimos como S.

Paulo nos exorta a louvar e bendizer a Deus porque Ele nos tem abenoado, e prosseguiu declarando sua proposio no segundo pargrafo da introduo: E, agora, S.

Paulo leva-nos origem e fonte, ou me- lhor, ao principal motivo que levou Deus a nos conceder seu favor. No era sufciente que Deus revelasse os te- souros de sua bondade e misericrdia para nos atrair esperana da vida celeste por meio do evangelho ain- da que isto signifque muito.

Paulo tivesse omitido o que vemos aqui agora, as pessoas poderiam supor que a graa de Deus comum a todos os homens e que Ele a A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 64 oferece a todos sem exceo, e, conseqentemente, que cada homem tem o poder de receb-la de acordo com seu livre-arbtrio, o que signifca que poderia haver algum mrito em ns Entretanto, a fm de eliminar todo m- rito da parte do homem, e para mostrar que tudo vem da pura bondade e graa de Deus, S.

Paulo diz que Deus nos abenoou de acordo com sua prvia eleio. Ao fazer isso, ele colocava seus ouvintes dentro da mente do autor bblico desde o comeo do sermo. Mos- trar o argumento central do livro e a maneira como uma passagem especfca ajusta-se nele era um aspecto signifcativo da arte exposi- tiva de Calvino. Por esta razo, sua introduo servia de ponte para o texto curta, sucinta e direta.

O reformador escolheu no gastar muito tempo fora do texto, nem mesmo na introduo. Seu objetivo, declarado de maneira simples, era conduzir seus ouvintes ao tema central da passagem bblica que estava diante dele. Esta abordagem 65 i ni c i a ndo o S e r m o direta lhe foi muito til e refetiu seu compromisso de deixar que a Bblia falasse por si mesma.

Neste momento, devemos orar ao sobrenatural Autor das Es- crituras, o Deus Todo-Poderoso, para que todos os pregadores se dediquem exposio da Bblia.

E como Calvino, que no desperdicem o tempo que passam no plpito, mas que sigam direto para o texto. Que comecem a explicar as passagens o mais rpido que puderem.

Que suas introdues sirvam para conduzir seus ouvintes verdade da Palavra.

Os presbiterianos escoceses também puderam enviar representantes à Assembléia de Westminster, quatro pastores e dois presbíteros, que participaram dos trabalhos sem direito a voto.

Logo que chegaram e foi assinado o pacto solene setembro de , houve uma mudança radical no trabalho da Assembléia. Agora, passou-se a fazer uma reforma completa da igreja. Instituiu a forma de governo presbiteriana em lugar da episcopal, com seus bispos e arcebispos.

O comandante vitorioso, Oliver Cromwell, assumiu o governo. Teve início uma nova era de perseguições contra os presbiterianos. Na Escócia, a Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana adotou os Padrões de Westminster logo que foram aprovados, deixando de lado os seus próprios documentos de doutrina, liturgia e governo que vinham da época de John Knox. Isso é ainda mais surpreendente diante do fato de que somente quatro pastores escoceses participaram da Assembléia de Westminster Alexander Henderson, Robert Baillie, George Gillespie e Samuel Rutherford.

As razões para isso foram os méritos dos padrões de Westminster e o desejo de maior unidade entre os presbiterianos das Ilhas Britânicas. Da Escócia, esses padrões foram levados para outras partes do mundo. Fonte: Walter L. O Presbiterianismo nos Estados Unidos. O primeiro grupo fixou-se em Plymouth em e o segundo fundou as cidades de Salem e Boston em Nas décadas seguintes, mais de 20 mil puritanos cruzaram o Atlântico em busca de liberdade religiosa e novas oportunidades.

Esses imigrantes formaram as suas próprias denominações e mais tarde muitos deles ingressaram na Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. No oeste da Pensilvânia, eles fundaram Pittsburgh, a cidade mais presbiteriana dos Estados Unidos.

O Rev. Ashbel G. Simonton era descendente desses escoceses-irlandeses da Pensilvânia. Foi só no início do século seguinte que elas começaram a unir-se em concílios. Nesse esforço, destacou-se o Rev.

Ordenado na Irlanda do Norte em , ele foi logo em seguida para a América do Norte. Makemie fundou diversas igrejas em Maryland e viajou extensamente encorajando os presbiterianos. Chegou mesmo a ser preso em Nova York em Em , organizou-se o Sínodo de Filadélfia, composto de quatro presbitérios. Muitos presbiterianos lutaram na guerra da independência. Em , contava com pastores, igrejas e cerca de 20 mil membros. Foi esse o período do avivamento conhecido como Segundo Grande Despertamento.

O resultado foi um avanço fenomenal. Hodge e Benjamin B. Foi criada a Junta de Missões Estrangeiras. Em , J. Apesar das dificuldades, a igreja continuou a crescer. Ashbel Green Simonton, alguns grupos e indivíduos reformados estiveram no Brasil. Todavia, pouco tempo depois Villegaignon entrou em conflito com as calvinistas acerca dos sacramentos e os expulsou da pequena ilha em que se encontravam. Em , os holandeses tomaram Salvador, a capital do Brasil, mas foram expulsos no ano seguinte.

Finalmente, em eles tomaram Recife e Olinda e depois boa parte do Nordeste. Foram criadas vinte e duas igrejas locais e congregações, dois presbitérios Pernambuco e Paraíba e até mesmo um sínodo, o Sínodo do Brasil James Cooley Fletcher , que aqui chegou em Ele manteve contatos com D.

Foi ele quem influenciou o Rev. Robert Reid Kalley e sua esposa Sarah P. Kalley a virem para o Brasil, o que ocorreu em Kalley fundou a Igreja Evangélica Fluminense em Sua história divide-se em alguns períodos bem definidos: 8. Ashbel Green Simonton Nascido em West Hanover, na Pensilvânia, Simonton estudou no Colégio de Nova Jersey e inicialmente pensou em ser professor ou advogado. Três anos depois, candidatou-se perante a Junta de Missões da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, citando o Brasil como campo de sua preferência.

Em abril de , Simonton dirigiu o seu primeiro culto em português; em janeiro de , recebeu os primeiros membros, sendo fundada a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Simonton morreu vitimado pela febre amarela aos 34 anos, em sua esposa, Helen Murdoch, havia falecido três anos antes. Os principais colaboradores de Simonton nesse período foram: seu cunhado Alexander L.

Trajano, Miguel G.

Arte Expositiva de Joao Calvino

Torres, Modesto P. Carvalhosa e Antonio Pedro de Cerqueira Leite. Morton e Edward Lane. Em , Morton e Lane fundaram a igreja de Campinas e em o famoso, porém efêmero, Colégio Internacional. John Boyle. George W. O mais conhecido dentre os primeiros pastores brasileiros do nordeste foi o Rev. John M. Na capital paulista, o casal Chamberlain fundou em a Escola Americana, que mais tarde veio a ser o Mackenzie College, dirigido pelo educador Horace Manley Lane.

No interior da província destacou-se o Rev. No Rio Grande do Sul, trabalhou por algum tempo o Rev. Emanuel Vanorden, um judeu holandês. O primeiro moderador foi o veterano Rev.

John Rockwell Smith. Horace M. Por causa da febre amarela, o Colégio Internacional foi transferido de Campinas para Lavras, e mais tarde veio a chamar-se Instituto Gammon, numa homenagem ao seu grande líder, o Rev. Samuel R. Gammon A primeira escola evangélica do nordeste foi o Colégio Americano de Natal , fundado por Katherine H. Porter, esposa do Rev. William C. Na mesma época, a cidade de Garanhuns começou a tornar-se um grande centro da obra presbiteriana.

Deus sempre se alegra em honrar sua Palavra especialmente a pregao de sua Palavra. Os perodos mais notveis da histria da igreja aqueles tempos de propagao das doutrinas reformadas e de grandes avivamentos tm sido pocas em que homens tementes a Deus tomaram a Palavra inspirada e pregaram-na P R e F c i O Pisando em Terra Santa A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 12 com ousadia, no poder do Esprito Santo.

A igreja imita a atitu- de do plpito. Somente um plpito reformado torna possvel uma igreja reformada. Este o momento em que os pastores precisam ter seus plpitos novamente marcados pela pregao expositiva, pela clareza doutrinria e pelo senso de reverncia em relao s coisas eternas.

Esta, na minha opinio, a maior necessidade do momento. Este livro o primeiro livro de uma srie que estudar os diversos ministrios de homens notveis na histria da igreja. De- vido urgente necessidade de nossos dias por plpitos poderosos, manteremos o foco nos pregadores. A razo desta nfase simples no consigo pensar em um exerccio espiritual melhor para os pastores de hoje com exceo do estudo das Escrituras em si do que examinar a forma como os gigantes espirituais do passado expunham as Escrituras.

Os futuros livros desta srie estudaro o ministrio de outros pregadores talentosos como Martinho Lutero, George Whitefeld, Jonathan Edwards, Charles Spurgeon, e outros. Estes homens foram poderosamente usados por Deus para reformar a igreja, confrontar o mundo, e alterar o curso da histria. Bem no centro destes ministrios extraordinrios havia plpitos frmados na Palavra. Num sentido bem real, estes plpitos foram o eixo sobre o qual qual a histria girou.

Conforme observamos esses homens infuentes e a poca im- portante em que viveram, certas perguntas devem ser feitas: O que distingia a pregao deles? Como era o seu compromisso em rela- o proclamao pblica da Palavra de Deus? A maneira como esses homens se aproximavam do plpito deve receber nossa maior aten- o, se quisermos ver outra grande obra de Deus em nossos dias. Conforme consideramos a vida e o trabalho de Calvino, fare- mos um levantamento das marcas que distingiam o seu ministrio 13 Pr e f c i o como pregador.

Observaremos os pressupostos mais importan- tes que sustentaram a sua pregao, e examinaremos como ele se preparava para subir ao plpito. Enquanto estudamos tudo isto, obteremos uma viso geral de sua pregao a introduo de seu sermo, a interpretao, a aplicao, a concluso, e a intercesso fnal. Resumindo, exploraremos as marcas peculiares da arte expo- sitiva de Calvino. O objetivo aqui no fazer uma abordagem emocional as circunstncias atuais so desesperadoras demais para tal trivia- lidade.

Em vez disto, o alvo deste livro contribuir para elevar o nvel da nova gerao de expositores. O mtodo que utilizo verificar o que significa ser comprometido com a pregao bblica analisando o trabalho de um homem totalmente comprometido com esta obra sagrada. Se voc um pregador ou um professor, ser desafado a ter um padro mais elevado em seu uso da Palavra. Se voc ajuda algum que foi chamado para esse ministrio, aprenda como orar melhor.

Que a leitura destes captulos seja inspiradora e cause impacto; que motive e traga vigor a todos os seus leitores enfm, que seja tudo que possa conduzir a uma nova reforma. Quero expressar minha gratido equipe do Ministrio Ligo- nier pelo seu intenso interesse e colaborao com este projeto. A Tim Dick, presidente e diretor executivo do Ligonier, que foi o primeiro a ver a importncia de colocarmos este livro nas mos das pessoas.

A Greg Bailey, diretor da diviso de publicaes da Ligoniers Reforma- tion Trust, que realizou um trabalho excelente ao melhorar o estilo desta obra; e a Chris Larson, diretor de arte, que acrescentou seu toque talentoso ao projeto grfco. Quero agradecer aos presbteros, aos pastores e aos membros da Christ Fellowship Baptist Church, que me estimularam a buscar a vontade de Deus quanto escrever este livro.

Tambm quero agra- decer ao meu auxiliar executivo, Kay Allen, que digitou esta obra e A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 14 coordenou nossos esforos, e a Keith Phillips e Mark Hassler que ofereceram uma ajuda inestimvel nas pesquisas e no trabalho com o manuscrito.

Em casa, minha esposa, Anne, e os nossos quatro flhos, An- drew, James, Grace Anne, e John tm me encorajado nesse trabalho de escrita. Que todos que vierem a ler este livro saibam do ambiente cheio de amor em que estudo e escrevo.

Soli Deo Gloria. Steven J. Ele pregava a Bblia todos os dias, e, sob o poder desta pre- gao, a cidade comeou a ser transformada. Conforme o povo de Genebra adquiria conhecimento da Palavra de Deus e era transformado por ela, a cidade tornou- se, como John Knox chamou-a mais tarde, uma Nova Jerusalm, de onde o evangelho espalhou-se para o resto da Europa, para a Inglaterra, e para o Novo Mundo.

Conhecido como um dos gran- des homens de todos os tempos, 2 ele era uma fora motriz to expressiva que infuenciou a formao da igreja e da c A P T uL O 1 A Vida e o Legado de calvino A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 16 cultura ocidental de um modo como nenhum telogo ou pastor conseguiu fazer. Sua exposio habilidosa das Escrituras possua as caractersticas doutrinrias da Reforma Protestante, tornando-o, indiscutivelmente, o principal arquiteto da causa Protestante.

Sua impetuosa abordagem da teologia defniu e articulou as verdades essenciais daquele movimento que alterou a histria da Europa no sculo dezesseis. Por sua vez, estas idias grandiosas ajudaram a moldar os princpios bsicos da civilizao ocidental, dando origem forma republicana de governo, aos ideais de educao pblica e flosofa do capitalismo com mercado livre.

Seu nome era Joo Calvino. Entretanto, acima de tudo, Calvino era um pastor o fel pastor que serviu, por vinte e cinco anos, um rebanho de Genebra, na Sua. Todo pastor tem, em sua poca, muitas obrigaes, e Calvino, por causa de sua posio social em Genebra, tinha mais responsabilida- des que a maioria dos pastores.

O historiador J. Merle DAubign, que estudou a Reforma, escreveu: Aos domingos, [Calvino] liderava o culto e tambm realizava cultos dirios em semanas alternadas. Ele dedicava trs horas por semana ao ensino de teologia; visitava os doentes e administrava exortao indivi- dual. Hospedava pessoas; nas quintas, comparecia ao Consistrio para dirigir as deliberaes; nas sextas, es- tava presente na conferncia bblica que era chamada de congregao.

Durante essas conferncias, depois que o ministro responsvel apresentava suas consideraes sobre determinada passagem das Escrituras, e aps os comentrios dos demais pastores, Calvino adicionava suas observaes, as quais se assemelhavam a uma pre- leo. Na semana em que ele no pregava, preenchia o 17 A Vi da e o Le g a do de ca lv i no tempo com ocupaes de todo tipo.

Particularmente, ele dava muita ateno aos refugiados que afuam para Genebra devido perseguio que ocorria na Frana e na Itlia. Ele ensinava, exortava e consolava, por meio de cartas, aqueles que estavam nas garras do leo, alm de interceder por eles. Em seus estudos, elucidou escritos sagrados atravs de admirveis comentrios, e refutou os escritos dos inimigos do evangelho. De fato, o reformador alemo Philip Melanchthon o clas- sifcou simplesmente como o telogo, uma indicao do respeito conferido a Calvino por conta de suas habilidades como intrpre- te das Escrituras.

Durante seus anos em Genebra, Calvino via o plpito como sua responsabilidade mais importante, o principal trabalho de seu chamado pastoral. Assim, o magistral reformador entregou-se exposio da Palavra como talvez nenhum outro na histria o tenha feito. Ele estimou e exaltou a pregao bblica ao nvel da mais elevada importncia, e tambm fez dela o seu com- promisso vitalcio.

Como resultado, com exceo dos homens usados por Deus para escrever a Bblia, Calvino ainda hoje o mais infuente minis- tro da Palavra de Deus que o mundo j viu.

Nenhum homem antes ou depois dele foi to prolfco e to profundo no lidar com as Escri- turas. O discernimento exegtico de Calvino trata da maior parte do Antigo Testamento e de todo o Novo Testamento, com exceo de Apocalipse. Para a maioria das pessoas, ele permanece como o maior comentador bblico de todos os tempos. Em seu leito de mor- te, quando recapitulou suas muitas conquistas, Calvino mencionou seus sermes em vez de falar dos seus vastos escritos.

Para Calvino, pregar era a tarefa mais importante. Ningum menos que Emile Doumergue, o mais notvel bigrafo de Calvino, subiu ao plpito do grande reformador em , na comemorao dos quatrocentos anos do nascimento de Calvino e disse: Para mim, o Calvino verdadeiro, que explica todas as outras faces de Calvino, o Calvino pregador de Genebra, que moldou o esprito dos reformadores do sculo dezesseis por meio de suas palavras.

Ele enfatizou que a principal ocupao de Calvino era aquela que foi ordenada ao ministro: proclamar a Palavra de Deus para ensinar, repreender, exortar e corrigir. Por esta razo a pre- gao de Calvino era repleta de instrues e aplicaes prticas, as quais ele via como uma necessidade fundamental.

Este era o verdadeiro Calvino o expositor bblico que considerava o plpito o corao de seu ministrio. Qual caminho Deus escolheu para que ele ca- minhasse? Como era a poca em que ele viveu? Quais foram suas conquistas? E o mais importante: o que contribuiu para sua grande- 19 A Vi da e o Le g a do de ca lv i no za?

Neste captulo, trataremos dessas e de outras questes antes de refetirmos sobre a arte expositiva de Calvino. Por ocasio de seu nascimento, Martinho Lutero tinha 26 anos de ida- de e j havia comeado seu ministrio de ensino na Universidade de Wittenberg.

Oito anos depois, em , o Reformador Alemo afxou suas noventa e cinco teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, um protesto que repercutiu em todo o mundo. Em seguida veio a Dieta de Worms assemblia geral que aconteceu em , na cidade de Worms onde Lutero proferiu seu famoso discurso em defesa da Palavra de Deus. Logo depois, as chamas da Reforma comearam a surgir na Alemanha e se espalharam rapida- mente pela Europa, atingindo principalmente as universidades da Esccia e Inglaterra.

Enquanto isso, os cinco solas da Reforma salvao s pela graa, mediante a f somente, unicamente por meio Cristo, exclusivamente para a glria de Deus e baseado somente nas Escrituras eram forjados nas mentes que estavam sendo renova- das pelas Escrituras. Joo Calvino seu nome francs Jean Cauvin nasceu em 10 de Julho de , na zona rural de Noyon, Frana, a aproxima- damente 96 km de Paris.

Era flho de Gerard e Jeanne Cauvin. Seu pai, um administrador fnanceiro do bispo catlico da diocese de Noyon, criou o flho para ingressar no sacerdcio da Igreja Catlica Romana.

Quando Joo tinha 11 anos, Gerard usou sua infuncia para obter uma capelania para o flho na catedral de Noyon. Ento, quando Joo tinha 14 anos, entrou na Universidade de Paris a fm de estudar teologia em preparao formal para tornar-se sacerdote.

O resultado do seu tempo na universidade foi que aos 17 anos Calvi- no graduou-se como mestre em Cincias Humanas. Contudo, o mais A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 20 importante que este futuro reformador desenvolveu-se com uma instruo slida nos fundamentos da educao clssica, incluindo latim, lgica e flosofa. Alm da graduao pela Universidade de Paris, Gerard ten- tou conseguir mais duas colocaes para Calvino na Igreja Catlica. Entretanto, um confito com o bispo de Noyon o motivou a redire- cionar seu brilhante flho para o estudo de direito na Universidade de Orlans Durante o tempo que passou l, e tambm mais tarde, na Universidade de Bourges, Calvino aprendeu grego e estu- dou o poder do pensamento analtico e da argumentao persuasiva, habilidades estas que mais tarde seriam usadas em seu plpito, em Genebra.

Armado com tais habilidades, posteriormente receberia o apelido de o caso acusativo devido sua inclinao para discorrer sobre suas opinies de modo convincente.

Quando Gerard morreu , Calvino fcou livre da infu- ncia dominadora de seu pai. Ele tinha 21 anos e mudou-se para Paris, em busca de seu primeiro amor, o estudo da literatura, espe- cialmente a clssica. Mais tarde, retornou a Bourges, onde completou seus estudos em direito e recebeu o ttulo de doutor No mes- mo ano, Calvino publicou seu primeiro livro, um comentrio sobre a obra De Clementia, do flsofo romano Sneca, o Jovem. O livro, que foi a dissertao de doutorado de Calvino, revelou sua crescente ca- pacidade de enxergar alm das palavras e compreender as intenes de um autor.

No futuro, Calvino usaria precisamente esta habilidade para interpretar as Escrituras, tanto no plpito como em seus escri- tos informando os propsitos de Deus medida que explicava a mensagem dos escritores da Bblia. Depois que o evangelho lhe 21 A Vi da e o Le g a do de ca lv i no foi apresentado, sobreveio-lhe uma inquietao crescente com o seu estilo de vida, e uma profunda convico de seu pecado o impeliu a buscar alvio na graa e misericrdia de Deus. Veja abaixo como, algum tempo depois, Calvino descreveu seu encontro com Cristo e os efeitos imediatos do mesmo: Por meio de uma converso repentina, Deus subjugou e preparou minha mente para ser ensinada a respeito das coisas espirituais, o que aconteceu de forma mais intensa do que se esperaria de uma pessoa da minha idade.

Tendo, deste modo, recebido uma amostra e algum entendimento da verdadeira piedade, fui imedia- tamente estimulado com um desejo to intenso de fazer progresso neste conhecimento que, embora no tenha abandonado por completo os outros estudos, buscava- os com menos fervor. Em novembro de , Nicolas Cop, reitor da Universidade de Paris e amigo de Calvino, fez o discurso de abertura do novo pe- rodo letivo.

Este discurso foi um apelo por uma reforma baseada no Novo Testamento, e um ataque corajoso aos telogos daqueles dias.

Acredita-se que o discurso de Cop foi escrito por Calvino, que teve de fugir de Paris, pela janela, no meio da noite, usando um lenol como corda. Ele escapou disfarado de vinhateiro, com uma enxada no ombro. Esta oposio maligna era um anncio do que lhe aconteceria durante toda a sua vida.

Aps fcar preso por um curto perodo, Calvino fugiu para a propriedade rural de Louis du Tillet, um homem abastado que era solidrio causa da Reforma. Neste ninho tranqilo, como Calvino o descrevia, ele teve oportunidade de passar cinco meses estudando a grande coleo de livros teolgicos que Tillet possua. L, ele leu a Bblia juntamente com os escritos dos pais da igreja; particular- mente os de Agostinho. Atravs de muito trabalho, talento e graa, Calvino estava se tornando um grande telogo autodidata.

Finalmente, sob a profunda convico da verdade das Escritu- ras, Calvino renunciou o salrio que recebia da Igreja Catlica, desde a infncia, pelo seu suposto pastorado em Noyon. A sorte estava lan- ada. Ele aderiu completamente s verdades e causa da Reforma.

As institutas de Calvino se tornariam a obra-prima decisiva da teologia protestante, o livro mais importante escrito durante a Reforma. Nos vinte e trs anos que se seguiram, As Institutas passariam por cinco ampliaes principais at chegar, em , ao seu formato atual.

Dedicado ao rei da Frana, Francis I, este trabalho ex- plicou a verdadeira natureza do cristianismo bblico. Calvino esperava que o livro atenuasse a perseguio que acontecia na Frana, por parte da Igreja Catlica Romana, contra os protestantes.

Esse livro uma obra-prima teolgica; apresenta uma instigante argumentao sobre as bases dos ensinamentos reformados, e a sua publicao conferiu a Calvino um papel de liderana reconhecido entre os reformadores. Depois, partiu para Estrasburgo, e, de l, para o sul da Alemanha, com a inteno de estudar e escrever em recluso e tranqilidade.

Ele nunca mais retornaria sua terra. Entretanto, enquanto viajava para Estrasburgo, Calvino provi- dencialmente mudou de rota. Uma guerra entre Charles V, o Sacro imperador romano, e Francis I resultou em movimentos de tropas que bloquearam a estrada para Estrasburgo. Foi preciso que ele f- zesse uma volta por Genebra, e se abrigasse sob os Alpes cobertos de neve nas margens do Lago de Genebra, o maior lago da Europa.

Calvino pretendia passar somente uma noite l, mas foi reconhecido por William Farel, o lder protestante daquela cidade recm Refor- mada. O encontro deles provou ser um dos mais importantes da histria, no s para a igreja em Genebra, mas tambm para o mun- do.

Conforme Calvino relatou mais tarde: Farel, que infamava-se com um zelo extraordinrio pelo avano do evangelho, imediatamente empregou todas as suas foras para me convencer a fcar naquele lugar. E depois que descobriu que o desejo do meu co- rao era de dedicar-me aos estudos particulares, razo pela qual queria me manter livre de outras ocupaes, e percebendo que nada conseguiria com splicas, ele prosseguiu falando de uma maldio que Deus lanaria sobre o meu isolamento e a tranqilidade dos estudos que eu buscava, caso me recusasse a prestar auxlio quando a necessidade era to urgente.

Fiquei to as- sustado com esta maldio que desisti da viagem que intencionava fazer. Em vez de estudar na quietude enclausurada de Estrasburgo, Calvino de repente mudou o foco de suas atenes para Genebra, com tudo o que isto exigia.

Primeiro foi nomeado professor das Sagradas Escri- turas, e, quatro meses depois, pastor da Catedral de Saint Pierre. Eles redigiram uma confsso de f e um juramento e, com ousadia, tentaram conformar s Escrituras a vida dos dez mil habitantes da cidade.

Contudo, logo eles sofreram for- te oposio. Suas tentativas de zelar pela Ceia do Senhor por meio da excomunho isto , impedir que as pessoas que viviam aber- tamente em pecado participassem da ceia resultou, na expulso deles da cidade em Novamente, Calvino foi exilado, desta vez para Estrasburgo, o lugar para o qual ele tinha inteno de ir para estudar e escrever.

Por trs anos , Calvino pastoreou uma congregao protes- tante de quinhentos refugiados de fala francesa naquela cidade. Ele tambm ensinou o Novo Testamento no instituto teolgico local, escreveu seu primeiro comentrio em Romanos , e publicou a se- gunda edio das Institutas.

Durante aqueles anos em Estrasburgo, Calvino tambm en- controu uma esposa, Idelette Stordeur, que era membro de sua congregao uma viva anabatista que tinha um flho e uma f- lha de seu primeiro casamento. Nos anos futuros, esta unio traria muito sofrimento alma dele. Idelette teve um aborto, perdeu uma flha durante o nascimento, deu luz um flho que morreu duas sema- 25 A Vi da e o Le g a do de ca lv i no nas aps o nascimento. Mais tarde, Calvino escreveu: Certamente o Senhor nos infigiu uma dolorosa ferida com a morte de nosso flho.

Mas Ele prprio pai e sabe o que bom para seus flhos. Calvino nunca se casou novamente. Pelo resto de sua vida, ele se dedicou ao trabalho do Senhor com uma viso singular. Aps dez meses de hesitao, ele aceitou o convite, com relutncia, sabendo que muita hostilidade o aguardava.

Calvino entrou mais uma vez na cidade em 13 de setembro de , e no se mudaria no- vamente. Ele deixou sua marca em Genebra como o lder reformado e a mais brilhante luz da reforma.

O reformador chegou cidade pregando. Reassumindo seu mi- nistrio no plpito precisamente a partir do ponto em que o tinha deixado trs anos antes no versculo seguinte da exposio que fazia antes do exlio Calvino tornou-se um sustentculo, pregan- do vrias vezes aos domingos e em algumas semanas durante todos os dias. A sua exposio das Escrituras, verso por verso, semana aps semana, e mesmo dia aps dia, faria de Genebra um clebre marco da verdade.

Neste tempo tumultuoso, comearam a afuir para Genebra protestantes franceses, conhecidos como huguenotes; protestantes da Esccia e da Inglaterra, pessoas santas que fugiam da fogueira dos mrtires de Maria, a Sanguinria; e refugiados da Alemanha e da Itlia.

Estes buscavam livrar-se dos perigos que enfrentavam em suas terras, e em pouco tempo, a populao de Genebra dobrou para mais de vinte mil pessoas.

A cidade estava acalorada com estudantes da Palavra, e Calvino era o professor. A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 26 Dentre estes refugiados estrangeiros havia um escocs cha- mado John Knox que recomendava a igreja de Calvino em Genebra como sendo a mais perfeita escola de Cristo desde os dias dos apstolos. Esta traduo foi a primeira Bblia com notas teolgicas impressas nas margens das pginas, o que era uma extenso do ministrio de Calvino no plpito.

Nos cem anos seguintes, ela se tornou a verso predominante entre os puritanos ingleses. Alm disso, tambm era a verso ofcial da igreja Protestante Escocesa, e a Bblia de uso co- tidiano dos protestantes de lngua inglesa em todo o mundo. Ela se tornou a Bblia preferida entre os primeiros colonizadores. Dentre os homens que tomaram o rumo de Genebra a fm de ouvir suas pregaes, mil voltaram para a Frana, levando consigo as verdades bblicas.

Mais tarde, Knox veio a ser o lder da Reforma na Esccia. Outros deixaram Calvino a fm de fundar igrejas reformadas em pases hostis aos protestan- tes como a Hungria, Holanda e Inglaterra. Porque a perseguio era uma certeza e o martrio, comum a estes santos, a escola de teologia de Calvino fcou conhecida como a Escola da Morte, de Calvino. A imprensa tambm difundiu a infuncia de Calvino. Durante esse tempo, um homem chamado Denis Raguenier comeou a fazer um registro escrito dos sermes de Calvino.

Ele o fazia para uso pes- soal e utilizava um sistema particular de taquigrafa. Eventualmente 27 A Vi da e o Le g a do de ca lv i no este homem foi contratado para copiar os sermes de uma hora, os quais continham por volta de seis mil palavras.

Raguenier realizou seu trabalho com surpreendente exatido, difcilmente perdendo uma palavra. Estas exposies escritas logo foram traduzidas em vrias lnguas, conquistando uma ampla distribuio. A Esccia e a Ingla- terra foram especialmente infuenciadas pelas pregaes impressas de Calvino. Mais tarde, o snodo de Dort na Holanda , e a Assemblia de Westminster na Inglaterra , a qual esboou a Confsso de F e os Catecismos de Westminster, torna- ram-se frutos indiretos da pregao bblica de Calvino.

At hoje, muitos de seus sermes continuam a ser publicados. Enquanto subia ao plpito regularmente, muitas difculdades lhe sobrevinham de todos os lados. Fisicamente frgil, Calvino sofria de muitas indisposies, e tambm suportou ameaas fsicas contra sua vida.

Ainda assim, nunca parou de pregar. Alm disso, alguns grupos de cidados genebrinos causaram- lhe muita dor, sendo a maioria deles Libertinos, que se orgulhavam de sua pecaminosa licenciosidade. A imoralidade sexual era admis- svel, eles alegavam, argumentando que a comunho dos santos signifcava que seu corpo deveria ser unido ao corpo da esposa de outros.

Os Libertinos praticavam adultrio abertamente e ainda as- sim desejavam participar da ceia do Senhor. Entretanto, Calvino no aceitava isso. Num confito pico, Philibert Berthelier, um eminente Liber- tino, foi excomungado por causa de sua conhecida promiscuidade sexual. Conseqentemente ele foi proibido de participar da ceia do Senhor. Por meio da infuncia traioeira dos Libertinos, o Conselho Municipal anulou a deciso da igreja, e Berthelier e seus compa- A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 28 nheiros foram igreja a fm de participar da ceia.

Eles chegaram de espadas desembainhadas, prontos para lutar. Calvino desceu do plpito cheio de coragem, colocou-se na frente da mesa onde se dis- punham os elementos da ceia, e disse: Vocs podem esmagar estas mos, podem cortar fora estes braos, podem tirar minha vida, meu sangue de vocs, podem derram-lo, mas jamais me foraro a dar as coisas sagradas ao profano e desonrar a mesa de meu Deus.

O teocentrismo de sua f surge em seu ltimo desejo e testamento, o qual ele ditou em 25 de abril de Em nome de Deus, eu, Joo Calvino, servo da Palavra de Deus na igreja de Genebra Agradeo a Deus no s por Ele ter sido misericordioso comigo, pobre criatura sua, e Confesso ter vivido e confesso que mor- rerei nesta f que Ele me deu, porquanto no possuo outra esperana ou refgio alm de sua predestinao sobre a qual toda a minha salvao est baseada.

Rece- bo a graa que Ele me ofereceu em nosso Senhor Jesus Cristo e aceito os mritos de seu sofrimento e morte, por meio dos quais todos os meus pecados esto enter- rados.

Humildemente suplico que Ele me lave e limpe com o sangue de nosso grande Redentor Alm do 29 A Vi da e o Le g a do de ca lv i no mais, declaro que me esforcei para ensinar sua Palavra de maneira imaculada, e para expor felmente as Sagra- das Escrituras, de acordo com a medida da graa que Ele me deu.

Relembrando a vida de Calvino, Beza concluiu: Por ter sido um espectador de sua conduta durante de- zesseis anos, tenho dado fis informaes sobre sua vida e morte, e posso declarar que nele todos os homens podem ver o mais belo exemplo de carter cristo, um exemplo que to fcil de caluniar quanto difcil de imitar.

Ele literalmente morreu citando a Bblia, tendo se desenvolvido na obra e na vontade de Deus, fel at o fm. Como ele tratava desta sagrada obrigao de expor a Palavra de Deus?

Quais eram as caractersticas deste clebre plpito? O que os pregadores de hoje podem aprender com ele? Os assuntos seguin- tes deste livro so uma tentativa de mostrar as marcas peculiares da arte expositiva de Calvino. Como resultado deste estudo, minha orao que, agora mais do que nunca, aqueles por detrs do plpito recuperem a arte da pre- A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 30 gao expositiva, a qual est desaparecendo.

A igreja sempre busca mtodos melhores para alcanar o mundo. Entretanto, Deus procura homens melhores, devotados ao mtodo bblico para o avano de seu reino, a saber, a pregao no qualquer tipo de pregao, mas a pregao expositiva. Por isso, nada poderia ser mais relevante para os pregadores de nossa poca num tempo em que modas passageiras e truques para atrair ateno parecem hipnotizar os lderes das igrejas do que observar mais uma vez o poder do plpito do reformador de Genebra. Que uma nova gerao de expositores levante-se para se- guir, em seu ministrio de pregao, as principais caractersticas do trabalho de Calvino.

Calvino no era um ditador em Genebra, governando o povo com mo de ferro. Ele nem sequer era cidado de Genebra, e por isso no tinha o direito de exercer auto- ridade poltica. Sua posio social era simplesmente a de um pastor que no estava em condio de dar ordens s autoridades que administravam a cidade A infuncia de Calvino sobre Genebra procedia no de sua reputao legal a qual era insignifcante , mas de sua considervel autoridade pessoal como pregador e pastor.

Dentro dela, o teto arque- ado ergue-se muito acima de toda a extenso do santurio. Um sentimento de reverncia fascina a alma dos adorado- res que entram ali, e uma percepo da sublimidade do lugar c A P T uL O 2 Aproximando-se do Plpito A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 32 enche-lhes a mente.

Mas a grandeza de Deus demonstrada mais claramente neste santurio por meio da pregao da infalvel Pala- vra. Esta antiga fortifcao catlica romana agora uma fortaleza da verdade bblica. Ela se tornou uma casa de adorao reformada um lugar onde a exposio das Escrituras preeminente. Os cidados de Genebra se renem ali, absorvendo cada vez mais as verdades doutrinrias da Reforma Protestante.

Junto com os genebrinos, tambm se fazem ali presentes huguenotes franceses que procuram escapar da tirania de sua terra, onde o pensamento romano estava arraigado. H ainda refugiados da Esccia e da Ingla- terra, os quais fogem das mos de Maria, a Sanguinria, e outros exilados que afuem de toda a Europa, incluindo Alemanha e Itlia.

Para um pequeno grupo de huguenotes franceses h pouco tempo em Genebra, esta uma ocasio importante. A experincia de adorao que eles tinham era de reunies isoladas, com poucos irmos na f, amontoados atrs de um celeiro na Frana. Caados como ani- mais, eles se escondiam dos soldados da cavalaria do rei da Frana. Quando escapavam destes soldados especialmente treinados e arma- dos e chegavam fronteira, eles seguiam para Genebra.

Conforme se aproximavam da cidade, avistavam os altos pinculos de Saint Pier- re, um carto de boas-vindas. Eles seguiam pelas ruas pavimentadas at alcanar a elevada igreja. Pessoas de todos os tipos corriam para a catedral.

As altas portas da frente se abriam para o interior do santu- rio, e aqueles fugitivos entravam com a multido de adoradores. Eles nunca tinham entrado num lugar to impressionante. Quando os adoradores se renem, seus olhos so atrados para o grande plpito elevado bem acima do piso do santurio.

L est ele, suspenso numa slida coluna. Ao redor desta coluna h uma escada espiral que leva plataforma de madeira onde se en- contra o afamado plpito. Joo Calvino regularmente sobe ali para expor a Palavra de Deus. Ao comear o culto, os huguenotes descobrem que somente a 33 Ap r ox i ma ndo- s e do Pl p i t o Palavra de Deus cantada em Saint Pierre. Os salmos so trabalhados de forma a terem uma cadncia mtrica e servem como texto para todos os cnticos da congregao.

O princpio regulador baseado em sola Scriptura reina nesse lugar. Conforme o culto prossegue, as pessoas cantam com toda a sinceridade de seu corao. A Palavra pregada nas semanas e meses anteriores levava-os a ter esse fervor.

Os dias fteis de mantras e de ritualismos vazios chegaram ao fm.

Livro: A Arte Expositiva de Joao Calvino - Steven J Lawson | Estante Virtual

Agora aquelas pessoas, bem ensinadas na Palavra, erguem sua voz para exaltar o Senhor. Aps os cnticos congregacionais, chega o momento mais espe- rado. Calvino levanta-se para expor o texto bblico. Coraes fcam maravilhados, almas esto atnitas. Convencidos e desafados pela pregao expositiva do reformador, os huguenotes se reanimam em sua f.

Alguns deles esto to estimulados que surpreendentemente decidem voltar para a Frana e enfrentar a ira da guarda real a fm de plantar igrejas protestantes. A pregao realmente poderosa.

A verdade que Calvino proclama realmente efcaz. Aqueles protes- tantes franceses nunca tinham ouvido uma pregao como esta. Sempre que Calvino assumia o plpito de Saint Pierre, isso era considerado uma ocasio momentosa.

Mas o que tornava a sua pro- clamao das Escrituras to distinta? Quais as particularidades que tornavam sua pregao to bem-sucedida?

EXPOSITIVA BAIXAR CALVINO JOO ARTE DE A

Todo pregador que expe a Palavra de Deus leva consigo, para o plpito, valores essenciais. Estes inevitavelmente moldam a sua pregao. Seu ministrio governado pelo entendimento que ele tem das Escrituras, pelo lugar que ele concede pregao e pela sua concepo de como esta deve ser conduzida. Calvino no era uma exceo. As suas crenas sobre a Palavra de Deus e a centralidade das Escrituras na vida da igreja defniam sua pregao muito antes de ele A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 34 levantar-se para expor a Palavra.

As convices profundamente ar- raigadas do reformador de Genebra sobre a autoridade suprema da Bblia exigiam uma compreenso elevada do plpito. Ele acreditava que a pregao deve ter primazia na vida da igreja porque a Palavra de Deus soberana na vida das pessoas.

Alm disso, o compromisso com a incontestvel autoridade da Bblia o compeliu a pregar em li- vros inteiros da Bblia, verso por verso. Comearemos a refetir sobre as caractersticas da pregao de Calvino. Este captulo focaliza o modo como ele se aproximava do plpito. Antes mesmo de o sermo comear, as crenas e o entendi- mento de Calvino determinavam a natureza de sua pregao. As tradies da igreja, os decretos do Papa e as decises dos conselhos eclesisticos precediam a verdade bbli- ca.

Entretanto, Calvino permaneceu frme sobre a pedra angular da Reforma Sola Scriptura, ou somente a Escritura. Ele acreditava que as Escrituras eram o verbum Dei a Palavra de Deus e que somente ela podia regulamentar a vida da igreja, e no papas, conse- lhos ou tradies. Sola Scriptura identifcou a Bblia como autoridade nica sobre a igreja de Deus, e Calvino abraou essa verdade de todo o corao, insistindo que a Bblia a competente, inspirada, inerran- te e infalvel Palavra de Deus. Calvino cria que quando a Bblia era aberta e explicada de for- ma correta, a soberania de Deus era manifestada para a congregao imediatamente.

Por isso, ele defendia que o principal encargo do mi- nistro era pregar a Palavra de Deus. Ele escreveu: Todo o seu servio [dos ministros] limitado ao ministrio da Palavra de Deus; toda a sua sabedoria, ao conhecimento da Palavra; toda a sua eloqn- cia, proclamao da mesma. Merle DAubign, o respeitado 35 Ap r ox i ma ndo- s e do Pl p i t o historiador da Reforma, observou: Do ponto de vista de Calvino, qualquer coisa que no estivesse alicerada na Palavra de Deus era futilidade e ostentao efmera; e o homem que no confasse nas Escrituras deveria ser destitudo de seu ttulo de honra.

Ele disse: Quando subimos ao plpito, no levamos conosco nossos sonhos e nossas fantasias.

CALVINO BAIXAR A JOO ARTE DE EXPOSITIVA

Ele sabia que assim que os homens se afastam da Palavra de Deus, ainda que seja em pequena proporo, eles pregam nada mais que falsidades, vaidades, mentiras, erros e enganos. Deste modo, Calvino admitia no possuir autoridade sobre os outros alm do que as Escrituras ensinam: ordenado a todos os servos de Deus que no apresentem invenes prprias, mas que simplesmente entreguem aquilo que receberam de Deus para a con- gregao, da mesma forma como algum que passa algo de uma mo para outra,.

Para Calvino, qualquer professor da Bblia, independentemente de ser humilde ou notvel, que decide misturar suas invenes Palavra de Deus, ou que sugere qualquer coisa que no faa parte dela, deve ser rejeitado, por mais ilustre que seja sua posio. Ele via a si mesmo sob a autoridade da Palavra. O prprio pregador acreditava que estava pregando a Palavra de Deus. Ele via a si prprio como ser- vo da Palavra.

Parker concorda com esse pensamento: Para Calvino, a mensagem das Escrituras soberana; soberana sobre a congregao e soberana sobre o pregador.

Bibliografia sobre a controvérsia Calvinista/Arminiana

Sua humildade demons- trada pela sua submisso a esta autoridade. A majestade das Escrituras, ele disse, merece que seus expositores faam-na evidente, que tratem-na com modstia e reverncia. Do ponto de vista de Calvino, explorar a altura, a largura, a profun- didade e a amplitude da Bblia era venerar seu Autor sobrenatural. Philip Schaf, um respeitado especialista na histria dos protestan- tes, escreveu: [Calvino] possua a mais profunda reverncia pelas Escrituras como a Palavra do Deus vivo e como a nica infalvel e sufciente regra de f e obedincia.

Oliphant assimila bem esta idia ao observar que o prprio fato do seu ministrio [de Calvino] consistir em expor a Palavra de Deus o enchia de forte reverncia pelo dever que tinha diante de si. Ele cria frmemente que quando a Bblia fala, Deus fala. Ele acreditava que atravs da exposio da Palavra escrita de Deus, acontece uma manifestao nica da sua presena em poder sobrenatural. Onde quer que seja pregado o evangelho, declarou Calvino, como se o prprio Deus viesse para o meio de ns.

Ele nos toca de tal forma, que a voz humana entra em ns e nos favo- rece de modo que somos revigorados e alimentados por ela. Deus nos chama para si como se estivesse falando- nos por sua prpria boca e pudssemos v-lo ali, em pessoa. Ele afrmava que durante a proclamao pblica, quando o pregador realiza sua incumbncia com fdelidade, falando apenas o que Deus coloca em sua boca, o poder do Esprito Santo, o qual o pregador possui den- tro de si, une-se sua voz externa.

Esta verdade o levou a dizer: Que os pastores enfrentem todas as coisas sem medo, por meio da Palavra de Deus, da qual foram constitudos A A r t e E x p o s i t i v a d e J o o C a l v i n o 38 administradores. Que eles renam todo o poder, toda a glria e excelncia do mundo a fm de conferir a prima- zia divina majestade desta Palavra.

Que, por meio dela, comandem a todos, desde a pessoa mais notvel at a mais simples. Que edifquem o corpo de Cristo. Que de- vastem o reino de Satans. Que apascentem as ovelhas, matem os lobos, instruam e exortem os rebeldes. Que juntem e separem, que clamem com veemncia, se for necessrio, mas que faam todas as coisas de acordo com a Palavra de Deus. O poder do Esprito, ele disse, apagado logo que os doutores em teologia comeam a tocar trombetas diante de si